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História
| A HISTÓRIA DE FORMIGA |
A
história de Formiga começa a ser contada a partir de
1.675, com a bandeira de Diogo Castanho, mas foi em 1.723
que Diogo Bueno adentrou na região para descobrir e
povoar o Sertão do Rio Grande e Capivari. Infelizmente,
nossa história se perde durante muitos anos, tendo em
vista a falta de documentos que registrem o período, e
pode ser a diferença histórica entre entradas e
bandeiras. Mister se faz, então, curvarmo-nos à
realidade e considerarmos nossa história a partir de
meados do século XVIII, ou seja, a partir de 1.737, com a
abertura da PICADA DE GOIÁS, partindo de São João Del
Rey com destino à nascente do Rio São Francisco e às
minas de Goiás, e não Pitangui como se chegou a
acreditar.
Provavelmente no início do século XVIII, diz a história
que Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhangüera, ou Diabo
Velho na língua indígena, "numa de suas históricas
diligências descobriu os afortunados mananciais do Rio
Vermelho, nascente do Araguaia. O ouro constituía
preocupação do governo, de todo mundo". Todas as
atenções se voltam para Goiás, e todos queriam ouro, até
que houve a proibição de novos caminhos, visando
principalmente cobrar impostos para a coroa portuguesa. A
partir daí, inicia-se a história da região compreendida
entre os Rios Grande e São Francisco, um marco diviso-histórico,
na chamada Serra das Esperanças, delimitada portanto a área
dentro da Comarca do Rio das Mortes, ou São João D'el
Rey, uma das três criadas em 6 de abril de 1.714 (as
outras duas foram as de Sabará ou Rio das Velhas e Vila
Rica (Atualmente Ouro Preto). |
| A PICADA DE GOIÁS |
| A Picada de
Goiás foi uma iniciativa de moradores da Comarca do Rio
das Mortes (dentre eles Caetano Rodrigues Álvares de
Horta, Matias Barbosa da Silva, José Alves de Mira
Maximiliano de Oliveira Leite, Caetano da Silva, André
Rodrigues Elvas, Francisco Pais de Oliveira, José Pires
Monteiro, Francisco Rodrigues Gondim). O historiador
Waldemar de Almeida Barbosa, em sua obra "A Picada de
Goiás" (1.963) comprova cabalmente tal fato. A
afirmativa do historiador Dr. Leopoldo Corrêa de que as
cidades de Bom Sucesso, Candeias, Santiago, Oliveira e
Itapecerica são provenientes da Picada de Goiás traz,
por si só, uma contestação de cunho geográfico. Em
linha reta, surgem as cidades de Santiago, Oliveira,
Itapecerica e as regiões de Bambuí, Arcos e Iguatama. Em
outro traçado, partindo de São João Del Rey,
encontramos as cidades de Bom Sucesso, Candeias e, em
linha reta... Piumhi (respeitamos a recente decisão do
povo da vizinha cidade e utilizamos a grafia atual), de
onde partiu Bartolomeu Bueno do Prado, em 1.769.
"Este parágrafo, portanto, merece maiores
estudos". |
| ÍNDIOS E NEGROS FUGIDOS |
| A partir de
1.740, já não se documenta a presença de índios,
apenas dos negros fugidos. Subseqüentes à Picada de Goiás,
foram concedidas 25 sesmarias (daí nascem, entre outras,
as cidades de acima citadas. A sesmaria de Francisco
Rodrigues Gondim (Pouso Alegre) foi abandonada em 1.741,
porque os negros fugiram, tornando-se conhecidos à época
como "quilombolas". Em célebre carta, a Câmara
de Tamanduá descreve a região a D. Maria I como
"imensa quantidade de negros aquilombados", e não
existem dúvidas quanto à existência de um dos vários
"Quilombos do Ambrósio", num local hoje situado
na divisa dos municípios de Formiga e Cristais. Diz a
história que o negro Ambrósio era rei de vários
quilombos espalhados pelas Minas Gerais. Em 1.745, a Câmara
da Comarca de Sabará requereu que se trouxessem
"duzentos casais de tapuias, que seriam assentados
cinqüenta em cada comarca, e daí saírem à destruição
dos quilombos de fugidios". |
| ASSENTAMENTOS OU ALDEIAS |
| Estes
assentamentos ou aldeias, em determinadas circunstâncias
denominavam-se "formigas". Queria essa "Câmara
de Sabará que os negros tivessem o mesmo espírito das
formigas cuiabanas, e como não o tinham, propuseram a
vinda dos índios(...)". Não se confirma,
entretanto, qualquer atendimento ao requerimento. Com o
desmembramento do território de Goiás da Capitania de São
Paulo, foi Governador da nova capitania D. Marcos de
Noronha, Conde de Arcos.Uma iniciativa desse governador
foi a criação de aldeias para os índios, dentre essas
uma no hoje município de Formiga. Nada, entretanto, pode
confirmar sua instalação. Nos vinte anos subseqüentes
(até 1.765), não existe qualquer menção histórica ao
nome de Formiga, e muito menos a existência de índios -
só se fala em quilombolas - daí considerarmos,
pessoalmente, descartadas tanto a ligação do nome da
cidade e do rio tanto com os índios "formigas
cuiabanas" como com as aldeias dos índios tapuias. |
| 6 DE ABRIL DE 1.754 |
Fatos
documentados: em 6 de abril de 1.754, o sesmeiro Domingos
Vieira Mota descreve a região como "campos e matos
devolutos, não povoados por causa de negros fugidos, quer
povoar as ditas terras não só para afugentá-los mas
ainda para dar sentido à dita picada para Goiás".
Somente em fins de dezembro de 1.759 termina a guerra
contra os quilombos. Dr. Leopoldo Corrêa descarta a lenda
da origem do nome de Formiga estar ligado ao ataque das
formigas saúvas a cargas de açúcar transportadas por
tropeiros (versão ainda defendida pelo ilustre Dr. Artur
de Castro Borges) e se mostra inclinado a crer na origem
do nome de Formiga oriundo dos índios ou dos
bandeirantes. Entretanto, só quase vinte anos depois
surge a primeira menção histórica ao nome, justamente na
época em que por aqui passou o açoreano Inácio Corrêa
Pamplona.
A partir de 1.737, tem início o desbravamento da região
já delimitada, registrando-se como primeiros moradores os
primos Estanislau de Toledo Pisa e Feliciano Cardoso de
Camargos (com certeza, aventureiros anônimos percorreram
anteriormente a região), estabelecidos na paragem da
"Casa da Casca do Tamanduá" (hoje Itapecerica),
que é o mais antigo núcleo de povoamento da região. A
preocupação com o povoamento da região teve início, na
verdade, com Luís Diogo Lobo da Silva, apelidado de
"Pai dos Pobres", que assumiu o governo de Minas
em 1.763. |
| ESCREVE-SE HISTÓRIA DE
FORMIGA |
Há em nossa
região, duas entradas, de caráter oficial e registradas
se organizaram. A de Bartolomeu Bueno do Prado, neto de
Anhangüera (ordenada pelo governador José Antônio
Freire de Andrade, que seriasubstituído três anos depois
- em 1.763 - por Luís Diogo Lobo da Silva), partiu de São
João Del Rey em 03 deoutubro de 1.760, e a de Custódio
de Torres Lima, em 1.765. A partir daí, definitivamente,
se escreve a história deFormiga e de seu nome.
A existência da Picada de Tamanduá a Piumhi, que
caracteriza o desbravamento numtraçado diverso ao da
Picada de Goiás, é confirmada pelos pedidos de
sesmarias, feitos em território da região a partir de
1.760, e é reforçada pelos pedidos feitos por Antônio
José da Silva, denominada Quilombo (que se refere
especificamente à Picada como seu local de residência) e
Manuel Barbosa Soares, esta última em 1.765. E o arraial
começa a crescer... A partir dessa época, surge a atuação
de Inácio Corrêa Pamplona, desbravador açoreano que
escreveu um capítulo especial e o mais importante na
colonização de nossa região.
A vinda de açoreanos para o Brasil tem, também, uma citação
especial. Em meados do século XVIII, tendo em vista o
excesso de habitantes no Arquipélago dos Açores, foi
feito um pedido especial ao Rei de Portugal de que fosse
retirado das ilhas, e levado para o Brasil, o excedente de
habitantes. Este é o motivo principal da participação
ativa de açoreanos na colonização brasileira, de forma
geral, e de forma especial em nossa região, através de
Inácio Corrêa Pamplona, dentre outros. Este açoreano,
nomeado regente da região de Campo Grande, em 1.765
(exatamente a partir de 1.765 surge menção ao nome
Formiga), pelo Governador Luís Diogo obo da Silva para
povoar a zona, teve sua ação diretamente ligada à
eliminação de quilombolas da região. Retornou em 1.769,
partindo de Piumhi e, terminou seu trabalho.
Na região, os considerados povoadores ficaram assim
distribuídos: DomingosAntônio da Silveira, em Córrego
Fundo; Inácio Corrêa Pamplona, no Desempenhado; Antônio
José Basto, em CampoAlegre; Inácia Corrêa Pamplona, em
Perdizes; Padre Inácio Pamplona, em São Julião; Manoel
e Jacinto Medeiros, emMedeiros; Simplícia Corrêa
Pamplona, em São Simão; Miguel José Pereira, São Estêvão,
sendo suas sesmarias todas nos atuais municípios de
Formiga, Bambuí, Iguatama e Arcos. Surgem outros nomes
importantes para a história de Formiga, os de Custódio
de Torres Lima e Teodósio da Silva Viana. A entrada,
requerida "para as bandas da Serra da Boa Esperança,
pretendia licença para a diligência tanto para
descobrirem terras mineiras quanto de agricultura".
Licença por dois anos, para depois requerer título de
posse. No requerimento ao governador, diziam-se ambos
residentes "na Formiga". A licença foi
concedida em 20 de abril de 1.768, ficando estipulado o
prazo de dois meses. No mesmo ano, a sesmaria de Ribeirão
da Formiga ( na primeira menção histórica ao nome do
rio, em 1.768) é requerida por Antônio Gonçalves Lopes.
Do Sargento-mor João Gonçalves Chaves vem também uma
informação até então não citada em nossa história,
que pode ser a origem do nome da paróquia de São
Vicente. Em recente subsídio, Dr. José Gomide Borges, do
Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (e
autor do livro O Sertão de Nossa Senhora das Candeias da
Picada de Goiás), associa o Sargento-mor à origem do
nome da Paróquia, da seguinte forma: "Trata-se de
subsídio para o estudo da questão. Ao que parece, o líder
que promoveu a edificação da primitiva capela, na
passagem da Formiga, o Sargento-mor João Gonçalves
Chaves, por provisão episcopal eral natural da freguesia
retro e, então, veio-lhe à lembrança o nome do
padroeiro de sua terra de origem - São Vicente." A
Freguesia a que se refere Dr. José Gomide Borges é
FORMIGAIS, na diocese de Lisboa. (Nota inserida na Grande
Enciclopédia Brasileira e Portuguesa, volume XI, página
646).
A história nos mostra, entretanto, que dentro do hoje
município de Formiga existia outra capela, mais antiga,
no local denominado Padre Doutor, distante cerca de seis
quilômetros da cidade, homenagem ao Padre Dr. Salvador
Pays Godoy dos Passos, e não ao Padre Arantes, como se
afirmava anteriormente. Dr. Leopoldo Corrêa, em suas
pesquisas, encontrou farto material nos livros paroquiais
da Matriz de São Bento de Tamanduá (em Itapecerica) e
corrigiu mais um erro histórico.
É importante frisar a importância da Igreja na colonização
de nossa região, já que a grande maioria dos atos
administrativos passavam pela Igreja. Qualquer núcleo de
povoamento tinha como primeira meta a construção de uma
capela, e só a partir daí poder-se-ia almejar algo mais.
O pedido de provisão da capela na passagem da Formiga, em
11 de março de 1.765, coincide com o pedido de sesmaria,
em primeiro de janeiro do mesmo ano, requerido por Antônio
José da Silva, na Picada Tamanduá - Piumhi, e ainda com
a passagem do então Governador Luís Diogo Lobo da Silva,
no ano anterior. O Vigário Jerônimo de Araújo passou
atestado nos termos da petição a 2 de janeiro de 1.787.
"Há outro registro em que se lê que a Capela de São
Vicente Férrer da Formiga foi erigida por provisão de 13
de abril de 1.780. Tal registro está de acordo com a petição
supra". Foi um processo tumultuado, no qual não se
faz menção à Capela de Nossa Senhora da Conceição, do
Padre Doutor. E o arraial continua a crescer... A partir
desse ponto, contam-nos a história de Formiga João
Emanuel Pohl, o Barão de Eschwege e August François
Cesar Provençal de Saint Hilaire, em especial este último,
que em 1.816, encarregado pela Academia de Ciências de
Paris, viajou durante seis anos, passou por Formiga e nos
deixou um legado histórico da mais alta importância, na
sua obra "Viagem às nascentes do Rio São Francisco
e pela Província de Goiás". Em seu livro, escreve
Saint Hilaire que "conheceu em Formiga um senhor
centenário que foi o primeiro a se estabelecer neste
lugar, há cerca de setenta anos, e que lançou os
alicerces de uma capela".
Bernardo Fernandes Barroso e João do Couto Coutinho,
constantes na solicitação da capela, faleceram antes da
passagem de Saint Hilaire, o primeiro em 1.780 e o segundo
em 1.808. Embora se tenha afirmado, por muito tempo, que o
primeiro morador tinha sido João Caetano de Souza, Dr.
Leopoldo, com muita propriedade, corrige mais um erro histórico,
simplesmente demonstrando a impossibilidade de sê-lo. Teria
ele cerca de cento e vinte anos quando eleito presidente
da Câmara.
O primeiro morador a se instalar em Formiga o fez por volta
de 1.749, e foi João Gonçalves Chaves, que requereu
sesmaria em 1.752 e já era centenário em 1.819, quando aqui
passou Saint Hilaire. João Caetano de Souza foi eleito o
primeiro Presidente da Câmara, em 1.839, e conforme
arquivo paroquial, "aos trinta e um dias de outubro
de 1.852 no cemitério desta vila, sepultou-se em
catacumba o coronel João Caetano de Souza, tendo
precedido acompanhamento solene, com todas as cerimônias
do ritual romano: faleceu de enfermidade interna na idade
de sessenta e quatro anos". Infelizmente, Saint
Hilaire deixa como legado sua má impressão a respeito do
povoado, possivelmente pela presença de muitos criminosos
(que talvez tenham contribuído para o aumento da população
do povoado), já que corria em São Paulo a notícia de
que no interior de Minas no caminho de mercadorias e
riquezas do litoral de São Paulo para Goiás - os
esconderijos em mata fechada eram impossíveis de se
procurar. Escreve ainda que "não tenho com que
louvar a cortesia dos habitantes de Formiga. Eu ocupava um
quarto minúsculo e vivia permanentemente cercado de curiosos,
que tiravam a luz do dia e me importunavam com perguntas
indiscretas". Coincidentemente, tanto o Barão de
Eschwege quanto Saint Hilaire deixam registrada a enorme
quantidade de prostitutas, a maioria brancas, que
infestavam o povoado. Escreveu o segundo: "em nenhuma
parte vi uma quantidade tão grande como em Formiga. Uma meia
dúzia delas hospedava-se no mesmo albergue em que me
encontrava, e quase todas eram brancas. Estas mulheres não
se ofereciam a ninguém, mas não saíam da varanda do
albergue, exibindo aos tropeiros seus encantos, já
fanados por uma vida de libertinagem.
Existem dados que indicam que capitães, ou mesmo
comandantes serviam-se de autoridades constituídas para obter
direitos sobre essas meretrizes". Apesar disso, o
arraial continua a crescer...
Reaparece o nome o açoreano Inácio Corrêa Pamplona, que
embora defendido pelo historiador Waldemar de Almeida
Barbosa, é tido como um dos delatores de Tiradentesna
Inconfidência Mineira. Por uma carta de 23 de agosto de
1.798, de Bernardo José de Lorena ao Juiz Ordinário e mais
oficiais da Câmara da Vila de São Bento do Tamanduá,
era autorizada a criação, na Capela de São Vicente Férrer
da Formiga, a Companhia das Ordenanças (por representação
do Regente Inácio Corrêa Pamplona, que informara haver número
suficiente de moradores), ratificando o que já existia
anteriormente, pois existe registro, em 16 de julho de
1.784, de que o Conde de Valadares nomeava o Capitão José
Fernandes Souto para substituir o Comandante Antônio
Ribeiro, e nomeava ainda o Alferes José Borges Campos e o
Tenente Braz Lopes para a 6ª Companhia de Infantaria
Auxiliar no Quartel do Distrito de São Vicente Férrer da
Formiga.
E o arraial continua a crescer...
Conforme
já dissemos, grande parte da história de Formiga vem da
Igreja Católica Apostólica Romana. Criava-se no arraial
de São Vicente Férrer da Formiga a Irmandade de Nossa
Senhora do Rosário, e à frente dessa instituição, de
25 de dezembro de 1.809 a 25 de dezembro de 1.816, esteve
Bernardo Alves Moreira.Durante esse período, edificou-se
a Capela do Rosário. As despesas da construção foram
anotadas no ano de 1.814, o sino foi inaugurado a 10 de abril
de 1.822, e a população insistia na criação da nova
paróquia. Tal capela, para tristeza dos formiguenses, foi
demolida em janeiro de 1967. Enquanto isso, o arraial
continuava a crescer.. Durante a construção da Igreja do
Rosário (na época chamada capela), o rápido crescimento
do sítio da Formiga e a insistência da população do lugar
em ter sua paróquia despertaram a atenção do Bispo de
Mariana, D. Pizarro, que reconhece a importância de sua
criação.
Já em 1.822 solicitava povo de São Vicente Férrer da
Formiga realizar aí nova paróquia, pelo desmembramento
de Campo Belo e a de Tamanduá. Em 1.931, volta a se
manifestar a autoridade eclesiástica: "na Paróquia
da Vila de São Bento do Tamanduá, inda que o pároco não
declara capela alguma para ser elevada à nova paróquia
desmembrada daquela, lembraria a Capela de São Vicente Férrer
da Formiga, que dista da Matriz de 6 a 7 léguas, sendo suas
divisas as que tem com a Aplicação da Matriz atual, e as
que divide seu terreno de 14 léguas com as freguesias de
Campo Belo e de Piuí (grafia original) e de Bambuí. De
muitos tempos trabalham os moradores deste arraial que é
assaz populoso, para conseguir este benefício, e não tem
alcançado".
A 14 de julho de 1.832, o Decreto da Regência elevava à
Paróquia diversos Curatos da Província de Minas Gerais:
"A Regência, em nome do Imperador o Senhor D. Pedro
II, tem sancionado, e manda que se execute a Resolução
seguinte da Assembléia Geral da Província de Minas
Gerais. Província de Minas Gerais Resolução seguinte da
Assembléia Geral da Província de Minas Gerais:
Art. 1º - Ficam elevadas a Paróquias de Minas Gerais, os
seguintes curatos(...)
Art. 2º - Na Comarca do Rio das Mortes os seguintes
curatos: (...)
Art. 8º - O Curato da Formiga do Tamanduá, tendo filial
aplicação de Candeias, e o Distrito de Sete Lagoas, o arraial
passou a ser Distrito, conforme se observa, tanto na
provisão da capela, nos idos de 1.765 quanto na criação
da paróquia houve, por parte das autoridades eclesiásticas
de São Bento do Tamanduá, uma certa resistência, e não
fosse a disposição dos moradores do sítio de São Vicente
Férrer da Formiga, os processos teriam se arrastado ainda
mais (a provisão da capela se arrastou de 1.765 a 1.780 e
o da paróquia de 1.814 a 1.832). |
| PARÓQUIA SÃO VICENTE FÉRRER |
Criada
a Paróquia de São Vicente Férrer da Formiga, a elevação
do Arraial à categoria de vila foi rápida, e não sofreu
as preliminares políticas normais. De novo a população
se rebelava contra a demora no pronunciamento de Tamanduá,
e o então Presidente da Assembléia Provincial Melo e
Souza, assume a direção dos trabalhos de emancipação
política de alguns lugares, dentre eles o do arraial de São
Vicente Férrer da Formiga, por considerar a posição de
"empório do comércio do sertão...".
Surge a questão do nome a ser dado, e o Cônego Manuel Júlio
de Miranda sugere o nome de Vila Nova da Formiga. Vendo, por
parte da Assembléia Legislativa Provincial, inclinação
pela aprovação do projeto, o chefe político de Tamanduá,
Padre João Antunes Corrêa propõe a criação e nova
Comarca, cujo círculo conteria a mesma Tamanduá e as
vilas de Oliveira e Formiga.
Estava criada a nova Comarca do Rio Grande e garantida a
elevação de Formiga à categoria de vila, com a aprovação
da que se tornaria a Lei 134, de 12/03/1939. E o distrito
passa a ser vila, mas falta sua instalação. |
| PRIMEIRO COLÉGIO ELEITORAL |
Em ofício de
22 de julho de 1.839, o Presidente Bernardo Jacinto da
Veiga determina que se instale a nova vila, e que se
fizesse da mesma forma ordenada em 22 de julho de 1.833,
tomando posse o vereador mais votado, perante a Câmara de
Tamanduá, para conferi-la depois a seus colegas.
Os vereadores eleitos para a nova municipalidade foram João
Caetano de Souza (escolhido Presidente), Modesto Antônio
de Faria, Francisco Teixeira de Carvalho, Joaquim Carlos
Ferreira Pires e Honório Hermeto Corrêa da Costa".
Ficou, portanto, instalada a Câmara Municipal da Vila
Nova da Formiga, que teve seu primeiro Colégio Eleitoral
a 30 de setembro de 1.839. |
| O PRIMEIRO JUIZ |
A Vila teve
como primeiro juiz, nomeado em 29 de julho de 1.839, o Dr.
Manuel José Pinto de Vasconcelos (que só compareceu à
vila em janeiro do ano seguinte), como primeiro Juiz
Municipal, o Vereador José Carlos Ferreira Pires, como
primeiro Juiz de Órfãos, (o Vereador Francisco Teixeira
de Carvalho) e como primeiro Promotor, João Teixeira de
Carvalho.
Outra vitória, e a Vila Nova da Formiga continua
crescendo... |
| A PRIMEIRA SESSÃO DA CÂMARA |
| Na primeira
sessão da Câmara, em 15 de outubro de 1.839, surgem as
primeiras propostas e decisões. O Vereador Modesto Antônio
de Faria propôs a adoção provisória das posturas da
Vila de Tamanduá para o novo município; Francisco
Teixeira de Carvalho para que se criasse o Distrito de São
João do Glória e Joaquim Carlos Ferreira Pires o de
Arcos. |
| OS DISTRITOS VIZINHOS |
O Distrito de
São João do Glória, da Paróquia de Piumhi, foi criado
em 1.840. Já o Distrito de Arcos foi criado em 1.840 e
instalado em 1.842, e dele fazia parte Porto Real
(Iguatama), enquanto o Distrito de Capetinga (Santo Antônio,
hoje Santo Hilário, em homenagem ao escritor francês)
que fora suprimido, foi depois restaurado com a denominação
de Senhora do Rosário da Estiva (1.842).
A Vila de Nossa Senhora do Livramento de Piumhi foi
desmembrada de Formiga pela Lei 202, de 1º de abril de
1.841, e instalada em 7 de abril de 1.842. Em 22 de
outubro de 1.842, consumou-se a execução do primeiro
condenado à morte na Vila Nova da Formiga, por
enforcamento. José dos Santos Leão foi condenado pelo
assassinato de Francisco das Chagas Gago. A esposa do
assassinado, Luíza Maria da Conceição, também
condenada à morte por enforcamento, conseguiu fugir da
prisão, e em 1º de maio de 1.850, o Juiz Municipal,
Pedro da Costa Fonseca, se suicida, após ser acusado de
conivência em tal fuga.
A divisão administrativa das Comarcas Em 22 de abril de
1.850, houve nova divisão administrativa, dividindo-se a
Comarca do Rio Grande. Tamanduá, Formiga e Piumhi
passaram a ser a 3ª Comarca do Rio Grande, já sem Nossa
Senhora das Oliveiras.
Em 6 de junho de 1.858, a Vila Nova de Formiga consegue
sua emancipação político-administrativa, adquirindo
foros de cidade, através da Lei 860. Em um único artigo,
eis o texto da Lei, sancionada por Carlos Carneiro de
Campos: "Fica elevada à categoria de cidade a Vila
Nova da Formiga, e revogadas as disposições em contrário".
E a Vila Nova da Formiga passa a ser cidade...
Em 1.866, Formiga passou a pertencer à Comarca do Pará,
com Tamanduá e Oliveira. Em 1.870, compunham a 19ª
Comarca do Rio Grande: Formiga, Tamanduá e Piumhi. Em
1.871, criava-se o Distrito de Bocaina, pelo Decreto 380,
de 7 de março. Com tal criação, grande parte do território
de Formiga e Boa Esperança passava para Piumhi, o que
provocou, na poca, grandes protestos dos dirigentes de
Formiga.
Em 1.872, a Câmara de Formiga resolve adquirir terreno
para se construir uma vala, visando à mudança de curso do
Rio Formiga. O curso original era pela Rua Santo Antônio
(hoje Quintino Bocaiúva) e Rua Cel. José Gonçalves
d'Amarante. Em 1.883, Piumhi e Bambuí desmembraram-se da
Comarca do Rio Grande.
Em 1º de janeiro de 1.893, era fundada a Santa Casa de Misericórdia,
em terreno doado pelo formiguense Francisco Domingos
Gontijo. Em 1.895, Dr. José Carlos Ferreira Pires toma conhecimento
dos aparelhos de Raios X, ao ler uma revista alemã, e
importa um para Formiga. O aparelho foi trazido em lombo de
burro e carro de boi e foi o primeiro a ser trazido para a
América do Sul. Tal aparelho encontra-se hoje no Museu da
cidade de Chicago, USA.
Em 1.901, através da Lei 319, incorporava-se o Distrito
de Pimenta ao município de Formiga. Em 30 de agosto de
1.911, através da Lei 556, artigo 5o, § 2o, o Distrito
de Pimenta passa a pertencer à vizinha cidade de Piumhi.
Eis a origem dos nomes dos atuais distritos, calçados na
história da região.
Albertos - Manoel Alberto se estabeleceu no território.
Sua fazenda confrontava com " O Saco", e sua
esposa Andresa Pinheiro e filhos continuaram a desenvolver
a propriedade, conhecida como Albertos, nome até hoje
mantido. O Prefeito Dr. Leopoldo Corrêa, através do
Decreto 158, delimitou o Distrito.
Baiões - As terras daquele Distrito têm ocupação
anterior a 1.769, por Matias Pinto Baião que, em 1.792,
requer mais meia légua no Rio de Santana. Matias Pinto
Baião foi o pioneiro, seguido de Pedro Pinto Baião, e
depois outros "Baiões" vieram para denominar o
lugar. Pelo mesmo Decreto 158, Dr. Leopoldo Corrêa
delimita o distrito.
Pontevila - Apesar da denominação histórica ser Ponte
Alta, em última instância denominou-se Ponte Vila. Também
o Prefeito Dr. Leopoldo, no mesmo Decreto 158, delimita o
distrito.
Córrego Fundo - O nome do Distrito teve origem na
sesmaria de Domingos Antônio da Silveira, um dos companheiros
de Inácio Corrêa Pamplona, em 1.767. O Distrito foi
criado através da Lei Municipal 134, de 1º de abril de
1.949, quando era Prefeito o Sr. José Justino Rodrigues
Nunes. |
| CURIOSIDADES IMPORTANTES |
Em 1.907,
chegava a Formiga a energia elétrica, através da Usina da
Charqueada. A Usina do rio Pouso Alegre data de 1.923, a
Usina do Ribeirão dos Monteiros de 1.955 e a CEMIG, até
hoje utilizada, veio para Formiga em 1.961.
Em
20 de abril de 1.908, inaugura-se, com grande festa, o
trecho da via férrea entre Formiga e Arcos, da Companhia
da Estrada de Ferro de Minas, e ponto inicial da Estrada de
Ferro Goiás.
Em 6 de junho de 1.908, é fundada a Corporação Musical
São Vicente Férrer, iniciativa dos trabalhadores da recém
inaugurada ferrovia.
Em 1.918, inaugurava-se o Grupo Escolar Rodolpho Almeida.
Sua criação se deu pelo Decreto no 3.937, de 1o de julho
de 1.913, e foi a primeira escola pública a se instalar
em Formiga, mais de 60 anos após a emancipação político-administrativa
do Município.
Em
1.927, era finalmente inaugurada a agência dos Correios e
Telégrafos em Formiga, (o serviço teve início em Minas
Gerais em janeiro de 1.798), embora desde 1.840, através
de decreto editado em 7 de março, funcionasse precariamente
na Vila Nova da Formiga.
Em 1.928, era inaugurada a Escola Normal Estadual (atual
Escola Estadual Jalcira Santos Valadão).
Dona Beja, ninguém poderia fazer a história de Formiga,
silenciando D. Ana Jacinta de S.José ou melhor (D.Beja).
Em seu testamento gentilmente mostrado por Pedro Afonseca
e Silva a Dr. Leopoldo Corrêa, médico e escritor formiguense,
D.Beja declara ser da cidade de Formiga, filha natural de
Maria Bernardo dos Santos.
Formiga foi também pioneira, em toda a América do Sul, na
utilização de um aparelho de Raio X, como método de diagnóstico.
Em 1895, o médico mineiro José Carlos Ferreira Pires
soube dos Raios X ao ler uma revista alemã e acabou encomendando
um aparelho. O Raio X foi embarcado para o Brasil e chegou
a Formiga em lombo de burro e carro de boi.
Nomes que Formiga já teve
- Sítio ou Rancho de Formiga
- Arraial de São Vicente Férrer
- Vila Nova de Formiga
- Formiga é conhecida como a cidade das "Areias
Brancas" e "Princesa d'oeste" FORMIGA
(atual) |
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HINO DE FORMIGA
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Lei Municipal 836/71
Música: Francisco Fonsêca - Letra: Ruy Peirão
Óh Formiga a quem tenho tanto amor
Nos teus campos de rara beleza
Tu confirmas com todo esplendor
Que d'oeste tu és a princesa.
Já é glória nascer brasileiro
Há porém quem feliz assim diga
Meu orgulho maior é ser mineiro
E mineiro nascido em Formiga.
O teu povo é feliz no labor
No trabalho fecundo e na paz
E por isso repete com ardor
És orgulho de Minas Gerais.
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| FONTE
HISTÓRICA: Guia Turístico Formiga - Minas Gerais (
Adm. 1997 - 2000)" O Historiador Sr. Leopoldo Corrêae
pelo Sr.José B. Rios Junior e www.formiga.nom.br |
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